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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Obama e Lost na TV!

Essa semana duas coisas totalmente distintas me fizeram assistir televisão: a posse de Obama e a estréia da quinta temporada de Lost. Me lembro como se fosse hoje do dia em que Bruno Coppini virou pra mim, respondendo à minha pergunta se valia a pena assistir Lost: "Meu, assiste só o primeiro episódio, e veja o que acontece!" Pois aconteceu o que eu temia, que ele já previra, virei um adicto!

A essas alturas Lost já estava na terceira temporada. Eu em menos de três meses alcancei a série e comecei a fazer o download dos episódios (coisa feia...) num blog que os posta, já legendados, algumas horas depois de passar aqui nos EUA. Bom, agora não preciso mais disso, hehehe. Acabei de ver ao vivo a estréia da nova temporada, dessa vez sem legendas, e embora sempre perca uma palavra outra, ta valendo! Olha, eu realmente recomendo. A primeira temporada de Lost foi uma das melhores coisas que já vi na televisão, e embora a segunda e terceira tenham perdido um pouco a direção, a quarta retomou a energia da primeira e a quinta promete!

Mas agora vamos falar de coisa séria. Ontem Obama assumiu a presidência e muita gente se emocionou. Dois dos meus roommates foram a Washinghton D.C. assistir a posse e a comunidade afro-americana está realmente esfuziada com o acontecimento. Eu já dei minha opinião a respeito numa das news passadas (que será postada aqui mais adiante) então vou ser breve. A primeira coisa boa não tem a ver com a chegada do Obama, mas sim com a saída do lunático do Bush, talvez o pior presidente da história dos EUA. Não conheci ninguém que tenha gostado da sua administração.

Quanto a Obama, eu confesso ter uma expectativa muito positiva a respeito, mas independentemente do que vier acontecer, nada vai apagar o simbolismo dos EUA terem pela primeira vez na história um presidente negro. Isso é um feito notável, que muitos duvidavam que fosse acontecer tão cedo num país que há poucas décadas reservava os últimos acentos dos ônibus para as pessoas de cor.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Da cor do pecado

É interessante reler essa primeira impressão da América passados mais de 4 meses. Hoje vejo algumas coisas com olhos um pouco diferentes. Eu sempre tive um problema que foi essa história de sempre dizer o que penso, dizer a verdade, mesmo quando não é apropriado ou requisitado. Eu não sei porque eu sou assim. Pode ser porque não talvez não tenha tido uma educação muita formal no que diz respeito a regras de etiqueta; pode ter sido um resquício da minha fase Mórmon, religião que frequentei na minha pré-adolescência. Essa religião dá muita ênfase ao pecado e suas terríveis consequências, e como se sabe a mentira é um pecado enorme. Bom, hoje não acredito mais em pecado, mas vai que esse medo do inferno ficou no meu subconsciente. Vai ver é uma coisa da minha personalidade mesmo. Mas eu tenho trabalhado nisso e acho que melhorei um pouco. Tenho tentando maneirar o meu impulso de dizer o que penso.

O fato é que, ser assim às vezes me leva crer que todas as pessoas também agem do mesmo jeito, o que obviamente não é verdade. Isso me faz um pouco ingênuo e meio lento pra receber impressões "reais" no meu relacionamento com os outros. O preconceito de preto contra branco existe sim. Não sinto isso sempre, nem acho que aconteça na maior parte das vezes, mas já senti-o, ainda que veladamente. Muitas vezes alguém é bem recebido ou tratado com cordialidade, mas somente por uma questão de educação, de boas maneiras, e como já disse aqui anteriormente, o povo americano é extremante polido e formal.

Quanto a ser fechado, isso é uma coisa muito particular de cada um. Mesmo no Brasil já se nota uma boa diferença do norte pro sul. Aqui também, já vi gente dizendo que o povo do sul é mais aberto. Tal qual o Brasil, a coisa parece acompanhar o clima. No geral, eu diria que os americanos não falam muito de sua vida pessoal, ou demoram um pouco mais pra se abrir. Isso é fato. Não é o caso do Pete, que é realmente um americano diferente. Com meus roommates eu não tive muitas conversas de cunho pessoal e sei muito pouco sobre a vida deles. As pessoas também dificilmente me fazem perguntas pessoais, embora isso algumas vezes isso aconteça.

A história do jazz é muito complicada. Essa coisa da cor permeia o jazz desde suas origens, e pouca gente questiona que o jazz é música de negros. Como o samba no Brasil. Existem jazzistas bons de todas as etnias, mas eu reconheço uma certa superioridade negra. No mínimo pode-se dizer que existe uma diferença. O clichê é dizer que o jazzista negro tem mais swing e o branco, por sua vez, um maior domínio técnico do instrumento. Verdade? Não sei. Aqui na escola, com exceção dos saxofonistas, os melhores músicos de cada instrumento são negros. Claro, pode ser só coincidência, mas eu duvido.

Uma pequena nota. O baixista Kevin Smith, o melhor aqui da NIU, está deixando DeKalb e regressando pra Atlanta, Georgia, sua terra natal. Segundo ele, fruto dos problemas ecônomicos que atingem o país. Uma pena...