sábado, 9 de maio de 2009

Fim das aulas

Sim, isso mesmo, comecinho de maio, acabaram as aulas. Acabou o "ano", como se diz no Brasil. Essa semana foi a última semana de aula com as suas respectivas finals. A cidade se esvazia agora. Meus roommates todos se foram, e de vez. Eu fui o único a renovar o contrato aqui. Coisa chocante: eles fizeram uma limpeza na casa, e jogaram muitas coisas fora. Pacotes de cereais quase cheios, temperos, comida, móveis, ventilador, etc. Lixo. Eu comentei com um deles, "se você soubesse quanta gente passa fome no Brasil vocês não fariam isso". Eu realmente fiquei chocado quando vi um pacote de sucrilhos, que por sinal era meu, praticamente intacto, no lixo. E um pacotão de cream cracker (também meu) ainda fechado... no lixo. O desperdício americano é assustador e eles não percebem. Eles lavam louça naquele esquema de ensaboar tudo com a torneira aberta. Outro dia um deles fez uma campanha pra ajudar Darfur (onde???). Mas a solidariedade, só a distância mesmo...

Mas não quero falar mal deles. Eu realmente gosto desses caras, principalmente o Hunter e o Adam. Também do Brian, com seu espírito prático, consertando e organizando tudo (porque toda república sempre tem um engenheiro??). O Hunter foi quem me convidou pro Thanksgiving, em Outubro. Parece o mais politizado da casa, claro estudante de de Ciências Políticas, se eu não me engano. Curioso sobre o Brasil, as vezes conversávamos longamente sobre meu país, respondendo às perguntas dele. Mas interessante foi um dia quando eu olhava os seus livros e ele pegou um e falou assim, "esse é meu livro favorito: 'The Alchemist', from Paulo Coelho". E ele nem sabia que o autor era brasileiro. Mundo pequeno... O Adam também é um cara nota 10. Viajado, passou um mês na Índia. Parece que é sempre assim, os americanos mais bacanas são aqueles que abriram um pouco a cabecinha pro que acontece no resto do mundo.

Os meus roommates sempre foram me prestigiar em meus concertos na NIU. Sempre achei esse gesto muito bacana da parte deles. Um dia paguei o maior mico, porque eles foram pra lá depois de tomar umas, e o Mark, que não mora aqui, mas é como se morasse, começou a gritar meu nome no teatro: Jiuleo, Jiuleo!! O Rodrigo, que estava regendo a big band, ficou olhando pra mim com uma cara meio sem entender o que estava acontecendo. Cimento!

Nos últimos tempos eu acabei me afastando um pouco, já meio de saco cheio das festas e bebedeira deles. Tô ficando velho pra tanta balada. Fatalmente acabei me estranhando com um e outro por causa da gritaria em cima da minha cabeça, nas festas no sotão, que fica bem em cima do meu quarto. Coisas de quem mora junto. Mas a coisa esse semestre foi demais, e por muito pouco não tive que acionar meu landlord, o que seria problemático, já que todos eles são amigos e faziam tudo junto. No último mês, não sei se porque eles se tocaram, ou se porque estavam atarefados com o "fim do ano", mas a coisa deu uma amenizada e foram poucas as noites que precisei colocar meus tampões de ouvido.

Com a mudança deles, me dei conta que quase tudo na casa era deles: talheres, cafeteira, televisões, boa parte da louça, etc. Fui lá na Salvation Army (Exército da Salvação) comprar uns garfo e faca, se não ia ter que comer com a mão!

Eu fico aqui até dia 10 de junho, quando viajo ao Brasil. Parece que três pessoas estão chegando pro Summer. No Fall a casa recebe 6 novos moradores e aí terei novas histórias pra contar.
Estou estranhando a casa assim vazia e silenciosa. Vou sentir falta dessa moçada...


Eu e Hunter


Em círculo, da esq. pra direita: Mark, eu, Joe, Brian, Adam, Ryan e Hunter


Do fundo pra frente: Hunter, eu Brian, Justin, Ryan, Adam e Mark

sábado, 25 de abril de 2009

Oaklawn Academy

No fim do ano Rodrigo Villanueva, o regente da Lab Band e meu amigo, como não, comentou comigo que uma escola onde ele lecionava estava a procura de professor de guitarra. Eu havia dito a ele que a minha situação financeira estava me preocupando, já que desde que eu cheguei ainda não tinha nenhum trabalho fixo e isso podia fazer com que eu retornasse de vez ao Brasil no fim do semestre. Ele me recomendou então e pediu que entrasse em contato com o diretor da escola. Na ocasião eu estava com a situação da carteira de motorista ainda pra resolver e ainda não tinha carro, o que tornaria pra mim impossível assumir o trabalho, já que fica em uma cidade bem longe. Bom, no fim deu tudo certo e em fevereiro consegui meu primeiro emprego de verdade aqui.

A Oaklawn Academy fica em Edgerton, no estado vizinho de Wisconsin. Sim, fica em outro estado... Eu tenho que dirigir 75 milhas (120km) e gasto 1:20h, 1:30h pra chegar lá. Dirigir aqui, como já falei em outro post é muito tranquilo. Ninguém te dá farol alto pedindo passagem nem cola na sua traseira. Eu dirijo cerca de 20 milhas numa estrada secundária com pouquíssimo trânsito e depois pego a I-90, que é uma estrada grande, interestadual. O trânsito é um pouco mais intenso, mas nada perto de chegar a ter engarrafamento. Então, boto uma músiquinha e vou me embora.

A escola é um tipo de internato que atende garotos de 13-15 anos em média. Os alunos são todos de origem hipânica, quase todos do México. Crianças ricas, é claro. O filho começa dar trabalho, ai o pai pega e fala: "Vai pro Wisconsin meu filho, ver o que é bom pra tosse!". A escola fica no meio do nada, na beira de um lago, num lugar muito bonito, mas que pros meninos deve ser bem parecido com uma prisão. Não sei, é dificil analisar. Por outro lado, imagino que as crianças ricas no México, com aquela de história de violência e tal, também não devam ter muita liberdade. Em Oaklawn, eu sinto uma energia boa e o diretor, que é mexicano, me passou uma impressão muito boa. Mas eles têm horário pra tudo, que é preenchido por atividades das mais diversas.

Eu vou pra lá duas vezes por semana, leciono aulas de meia hora pra grupos de três meninos, 18 ao todo. A princípio eu esperava que fosse ter problemas de comportamento, mas honestamente eu não posso falar um "a" dos rapazes. Eles tem sede de aprender e são extramente dóceis. A coisa de ser latino me ajudou muito. A cultura é muito parecida, o que me deixou muito à vontade e tranquilo. Nenhum de nós tem o inglês como língua mãe, e eu quando preciso arranho meu "portunhol". Eu sou muito bem remunerado, mas comprar o carro me deixou quase sem reservas e vai levar um bom tempo até me recompor de todas as despesas que tive até agora.

A jornada pra eles está chegando ao fim, já que eles vêm pra ficar aqui 6 meses ou um ano. Eu continuo até o fim de maio e vou participar da formatura, acompanhando os alunos selecionados pra tocar. Em agosto chega um novo grupo, mas as aulas de guitarra, que são extra-curriculares, voltam só lá pra fins de outubro. O que vou fazer nesse meio tempo, só Deus sabe.



Comecinho da viagem no meio do nada!


Vilarejo pertinho da escola


Entrando na escola


Portão principal


Oaklawn Academy



Foto com lago Koshkonong ao fundo


Foto com Oaklawn Academy ao fundo

domingo, 19 de abril de 2009

Crise

Infelizmente as coisas às vezes não são o que parecem. De fato, a eficiência americana é impressionante. Mas não foi pra resolver o problema do meu social security, o que tive de esperar até janeiro para conseguir (era pra sair em outubro). Apesar dessas conquistas iniciais, não aconteceu muita coisa depois. A gig do restaurante italiano (Filo Spinato) durou cerca de dois meses, até que eles resolveram cortar gastos e por fim fecharam de vez no mês passado. Fruto da crise, que agora enxergo com mais clareza. Depois disso, tocamos algumas vezes em outros restaurantes, um em Sycamore e outro em Elgin, ambos do mesmo dono, um italiano bonachão, mas também não teve continuidade. Agora, mais recentemente, com a ajuda de carro, tenho ido com mais frequência a Chicago e acabei conseguindo uma gig com os brasileiros por lá, mas os detalhes conto depois.

A crise se mostra na vida prática, com o comércio, principalmente o do automóveis e imóveis, andando meio devagar. Vejo também notícias constantes de fábricas e também lojas fechando as portas. Em Dekalb vi vários exemplos. Também notei inflação, com vários produtos aumentando os preços. Felizmente a gasolina voltou à casa dos $2,00. O imposto sobre serviços em DeKalb e em grande parte do Illinois também subiu, de 7, 7,5% pra 10%, em média, se não estou enganado. Também vi muitas pessoas contando que tiveram grandes perdas nas bolsas. Como aqui dinheiro em banco não rende absolutamente nada, tudo mundo aplica em ações, que por sua vez é um investimento mais arriscado. Muita gente que tinha dinheiro de aposentadoria aplicado em ações, está tendo que rever seus planos sobre parar de trabalhar. Bom, também estou programando uma news pra falar de dinheiro. Prometo que escrevo antes de voltar ao Brasil.

Quando aos caça-fantasmas, continuo querendo ligar lá pra ver se é verdade. Não, não é possível...

sábado, 18 de abril de 2009

DeKalb News 4 - Jobs and Ghost Hunters

14 de setembro de 2008

A impressão que eu tive na minha primeira semana aqui, é que na América as coisas andam rápido. No meu primeiro dia eu fui ao mercado fazer compras e depois, na hora de pagar, quando eu vi já estava tudo ensacado. Os saquinhos já ficam abertos numa espécie de maquininha que vai girando enquanto o caixa vai ensacando tudo. É realmente muito eficiente. Uma coisa que não tem aqui é essa historia de você facilitar o troco. Não dá tempo! Enquanto eu fico que nem um idiota catando moedinha, que aliás ate hoje me confundem, o caixa já me deu o troco e já esta atendo o próximo cliente. Às vezes ainda me esqueço e lá vou tentando diferenciar o quarter (0,25) do nickel (0.05)...

Agora, o melhor de tudo, o que demorou uma semana pra eu me dar conta, é essa eficiência não é a custa de stress. Eu comecei a perceber que (pelo menos aqui em DeKalb) eu não via pessoas stressadas. Não vejo correria no trânsito nem gente se atropelando nas ruas. Claro, provavelmente nas grandes cidades as coisas sejam diferentes. Mas me lembrei bem do meu amigo Gustavo, há alguns anos em Lisboa dizendo, “bixo, aqui a vida é muito mais tranqüila”.

E a tal da recessão atual nos EUA, eu não notei isso não. O povo aqui deve estar mal acostumado. Eu vejo sempre anúncio de emprego, dos mais variados, como entregar jornal, tirar leite de vaca, brincar com criança autista e até de dar aulas de música (vi vários, normalmente em cidades vizinhas). Claro, a maioria dos empregos desse tipo paga o salário mínimo daqui, que é cerca de U$8,00/hora. Mas trabalhando 8h/dia isso dá cerca U$1300,00 o que dá pra viver dignamente aqui (mas pelas pontas!). Eu consegui trabalho já na minha primeira semana. Fui convidado pra dar duas disciplinas pros freshmen (bixo, calouro) de guitarra. Isso aqui é comum e é chamado de TA (teaching assistant). Isso não estava nos planos e foi muito bem vindo. Mas que foi engraçado começar a dar aulas em inglês, antes mesmo de ter assistido uma aula sequer, foi. Outra coisa que também aconteceu na primeira semana, e essa eu já estava esperando, foi dar aulas no CSA, um programa da universidade voltado para a comunidade. Bom, ainda não está rolando nada , porque depende dos alunos se matricularem, mas já valeu porque vai me possibilitar tirar social security, que é como se fosse o CPF aqui.

Também já consegui um lugar pra tocar fixo todo sábado, graças à iniciativa do Alejandro, meu amigo colombiano. Hoje foi nossa segunda semana. É um trampo sossegado, um restaurante italiano onde somos muito bem tratados. Tocamos música brasileira e jazz. Acabo também cantando aquelas bossas meio manjadas, mas o povo fica deslumbrado com a música brasileira e isso é muito gratificante. Aliás é impressionante como pouca gente sabe tocar bem nossa música. O único que toca um pouco é o Juan, um baterista peruano de 22 anos que toca jazz que nem americano. Tem um professor aqui também, o Greg Bayer que é um entusiasta da música brasileira, fala português muito bem e fez um doutorado sobre o berimbau. Ele é responsável pelo combo de musica latina, do qual também faço parte. Aliás, falando em tocar, eu faço parte de uma das três big bands que tem aqui na universidade (NIU JAZZ LAB BAND)e fiquei sabendo, também na minha primeira semana aqui, que em dezembro faremos uma turnê de uma semana no México, passando pelas cidades de Xalapa, San Miguel de Allende e Queretaro. O regente da orquestra, Rodrigo Villanueva, é mexicano. Ele é o professor de bateria da NIU e me convidou pra formar um trio junto com Alejandro, pra tocar na cidade onde ele reside, Madison. Como eu disse, as coisas na América caminham rápido.

Gostaria de divulgar o blog do jornalista Edmilson Siqueira, do jornal Correio Popular. Ele tem publicado as minhas DeKalb New em seu blog, o que me deixa muito honrado.

Termino mandando mais algumas fotos do esquilo, que algumas pessoas não conseguiram ver no meu outro email (não garanto que é o mesmo!), e também uma de coelho. É, agora além de esquilos, tenho esbarrado em coelhos. Segue também uma foto de um anúncio que saiu no jornal daqui de caça-fantasma. Não gente, não é possível, só aqui pra ter um negocio desses...



Caça-fantasmas!!! Surreal!!

Coelhinho da páscoa que trazes pra mim?



Jazz Lab Band


UN Trio

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O carro

Uma das minhas séries preferidas na televisão é "Os Anos Incríveis". Eu sempre me impressionei como as histórias são as mesmas em todos cantos. Eu, que nasci lá em Vila Velha - ES, na beira da praia, vivi coisas idênticas a que viveram o personagem Kevin Arnold e sua trupe, em algum subúrbio no estado de Indiana - EUA. Eu me lembro de um episódio quando o avô do Kevin deu seu velho carro de presente pra ele com o seguinte dito: "Um homem não é um homem sem um carro". E olha, o velho tinha razão.

Eu me dei conta disso quando comecei a fazer bailes com a banda "Sertão 2000", quatro vezes por semana em 1994. Eu esperando o dia amanhecer pra pegar o ônibus e ir pra casa, depois de ter tocado das 11:00 às 4:00h, carregando guitarra, pedaleira, mala... Olha, que cimento! Eu juntei dinheiro que nem um louco e um ano depois consegui comprar meu primeiro carro, uma Belina do meu amigo Joni Grapeia. Depois foi um fusquinha Bordeux que capotou e quase me levou antecipadamente pra outra vida, dois Gols e um Uno Mille que foi do meu pai e que por fim acabou financiando minha vinda pros EUA.

Aqui carreguei minha cota de cimento, ficando 6 meses sem carro, o que foi até divertido nos dois primeiros meses, até o frio chegar, mas depois disso deixou de ser. Aqui não é possível viver sem carro, não só por causa do frio e de ser tudo longe, mas principalmente porque transporte público, com exceção de cidades como Chicago e New York, não existe.

Depois da novela do meu Social Security que só saiu em janeiro, consegui enfim tirar minha carteira de motorista, depois de ter que ir ao Driver Service (Detran) umas 5 vezes. Você acredita que a vaca que me aplicou o teste me reprovou??!! Fala sério mano, eu dirijo tem 15 anos. Mas a minha tese é que foi o motivo foi preconceito. Ela falou pra mim: "Por favor entre no carro e lfsjkdkfsl o vidro". Eu falei, "o que?". Ela repetiu: "Por favor entre no carro e ksjkjdkgjsk o vidro". Eu continuei sem entender. Pro pessoal mais avoado, tipo geminianos, a conversa toda foi em inglês viu! Bom, ai ela disse, "olha, eu vou repetir pela última vez, está claro??!!" "Yes, yes madam". Ah bixo, a mesma coisa! Eu então fingi que entendi entrei no carro e abri o vidro....e ... ufa... era pra fazer isso mesmo :) No fim ela me reprovou porque eu parei umas vezes em cima de uma faixa que tem aqui. Então tá!

A driver's licence aqui é tipo uma carteira de identidade. Quando você entra num bar tem que mostrar pra provar que tem mais de 21, mesmo se for um velhinho! E o dia que o cara do bar estava olhando minha carteira de motorista brasileira de cabeça pra baixo! Vai ser burro assim na China, ops, nos EUA! Bom, agora não preciso mais passar por isso.

Com isso finalmente comprei meu carro. É um Nissan Altima 98 com tudo automático que você pensar, apesar de metade dos botões não funcionar! O carro, por exemplo, não tranca! hahaha mas aqui não dá nada não. Ele está com 108 mil milhas o que pro ano não é muito, principalmente aqui, onde os carros são muito rodados. Paguei U$2250.00 A título de comparação no Brasil um carro desses 95, segundo a tabela FIPE custaria cerca de US6770.00 (dólar a R$2,30).

Dirigir aqui é muito tranquilo. Na cidade é preciso tomar muito cuidado porque tem polícia por todo canto e qualquer bobeada os caras te param. Por outro lado não tem radar. Mas nas estradas tem muitos carros de polícia à paisana e eles tem um radar portátil. Conheço várias pessoas que já tomaram multa. É complicado, porque o limite nas estradas é 65 milhas/hora (105km/h). Bom eu geralmente ando a 70-75 :)

Tem algumas coisas que são bem diferentes. Você pode, por exemplo, avançar o sinal vermelho se for converter à direita. Mesmo sabendo disso, sempre me dá aquela sensação de estar fazendo algo errado. Outra coisa, você normalmente pode parar no meio da pista pra converter à esquerda, depois que os carros passarem. É meio esquisito mas funciona, principalmente porque os motoristas são muito educados. Então todo mundo espera bonitinho sua vez pra passar e o melhor de tudo, não tem pressão. Cara, na estrada é uma maravilha. Aqui não tem aqueles maníacos que ficam colando na traseira, dando farol alto, pedindo passagem desesperadamente. Eu não vi ninguém fazendo isso nas estradas e principalmente aqui em DeKalb. Realmente posso dizer que dirigir aqui é uma experiência bem pouco estressante, se comparado ao Brasil e muito mais barato também. Os pedágios mais caros que vi custam U$1.60 e a gasolina custa (agora) menos de U$2.00 o galão, o que segundo minhas contas, considerando 1 dólar = R$2,30, dá R$1,20 por litro!


Já tem até GPS!


Tira a foto logo que ta -5C rapá!


Neve também suja!



sábado, 14 de fevereiro de 2009

Valentine's Day

Hoje celebra-se aqui nos EUA, e em muitos outros países o Valentine´s Day, o nosso Dia dos Namorados. Me recordo das ocasiões em que tive que passar a data sozinho, e fatalmente sempre bate uma tristesazinha. Esta, no entanto, vai ser a primeira vez que vou passar o Dia dos Namorados sozinho, tendo uma namorada. Não é legal ser mulher de músico nessas ocasiões, já que é uma em data que nós quase sempre estamos trabalhando. Agora pior ainda é namorar um músico que mora em outro país. Nosso namoro começou com data pra acabar, porque começamos a namorar em março de 2007 e eu a essa altura já esperava uma resposta da bolsa aqui na NIU, que era pra ter saído em julho daquele ano, mas ela não saiu. A bolsa acabou saindo pra dezembro, mas muito em cima da hora, então resolvi adiar pra agosto, o que me deu tempo de gravar meu CD e a também aprofundar nosso relacionamento, além de organizar tudo que foi preciso antes de embarcar, e acreditem em mim, é muita coisa!

Algo que sempre tive em mente é não deixar de viver a vida baseado em expectativas futuras. Racionalmente seria mais sensato que a gente não deixasse a relação prosseguir. Se nós tivéssemos agido assim, certamente teríamos poupado muito sofrimento, mas também deixaríamos de viver os momentos maravilhosos que vivemos. Daniela foi a namorada com quem tive mais afinidade. O nosso amor paradoxalmente começou de um jeito que parecia não ter futuro, mas cá estamos firme e fortes. Foi uma coisa inevitável, parecia que já nos conhecíamos e que tínhamos que ficar juntos.

Nós homens costumamos fazer um comentário malicioso quando nos referimos a mulheres solteiras que tem filho. Me lembro como se fosse hoje o Babi falando da Dani: "Ela é muito inteligente, é filósofa. Mas vem com brinde!". Esse brinde se chama Isadora é a criaturinha mais doce que já conheci. Se pudesse escolher como seria um filho meu, seria como ela. Puxou a mãe em sua inteligência, doçura e gênio! No começo fiquei meio sem jeito. Imagina né, rapaz jovem, solteiro, livre, independente, bonito, de repente andando por aí com esposa e filha, hahaha! Mas me acostumei, tomei gosto pela coisa, e no fim tudo que mais queria agora era as duas aqui perto de mim. Sinto como se nós realmente fôssemos uma família.

Namoro à distância não é fácil. Envolve solidão, saudade, desconfiança, ciúme e incerteza. Muita gente diz que é impossível. Mas agora que vivo essa situação, conheci alguns casais que já passaram por isso e no fim ficaram juntos. Isso me ajuda muito a enfrentar a distância, saber que é possível. O que você vai fazer? Você encontra alguém que você ama e com quem você quer ficar junto. Simplesmente desistir?

Manter a decisão de vir pra cá não foi nada fácil. Não foi só a Daniela e a Isa que eu deixei prá trás, mas também um bom momento profissional e pessoal, uma vida estável e sinceramente tinha pouquíssimo desejo de mudança. Mas isso foi algo que batalhei por muitos anos e sempre quis, quase um sonho de menino. Foi uma decisão um tanto egoísta, eu admito. Eu precisei de quase um ano de terapia prá poder largar tudo que tinha e vir pra um cenário um tanto quanto incerto. Eu me sinto culpado muitas vezes por tê-las abandonado, mas é engraçado como ao mesmo tempo me sinto próximo delas. Eu e a Dani nos falamos com frequência e trocamos emails diariamente. A tecnologia hoje ajuda muito os casais distantes e faz a gente acreditar que é possível um relacionamento assim.

O apoio da Dani e da Isa foi fundamental. Não sei se teria conseguido sem elas, e ainda hoje, mesmo tão longe, preciso muito delas. A solidão e o vazio que sentimos estando num país estrangeiro às vezes não é fácil de encarar, e sem a ajuda dos entes queridos seria acho quase impossível. Meus últimos dias no Brasil foram ao mesmo tempo maravilhosos e angustiantes. Ficamos juntos o tempo todo e elas me acompanharam nas minhas últimas viagens à Vitória e ao Rio. Sorrisos e lágrimas se sucediam o tempo todo e tudo foi muito bonito, mas muito, muito triste também. Nossa despedida no aeroporto foi algo traumatizante e foi igualzinho àquelas cenas de filme onde todos choram, só que dessa vez foi de verdade. Nunca vou me esquecer da Isa agarrando minhas pernas e não deixando ir embora, nem das mensagens que eu e a Dani ficamos trocando no celular até que tive que desligá-lo pra sempre. Até nos últimos momentos ela ficou me consolando, enquanto, tenho certeza, muitas outras mulheres estariam me odiando. Olha não foi fácil.

Eu não sei como vai acabar nossa história. Sempre penso que uma a hora a Dani vai ficar de saco cheio de tudo isso e me mandar passear. Mas depois de tudo que passamos, nós temos que acabar juntos. Não me imagino sem elas. Se desistíssemos agora seria como nadar até o meio de rio e resolver voltar quando se está quase chegando à outra margem.

Amorzinho, obrigado por tudo que você tem feito por mim e por não ter me abandonado. Te amo.

Isadora atacando de cantora. Campinas, 29/06/2008


As duas no show de lançamento do meu cd no Santa Fé em 31/07/2008


Último dia em Campinas, 08/08/2008


Dani e minha mãe no show de lançamento no Jazz Café em Vitória - ES, 12/08/2008


Eu, Dani, minha irmã Simone, Papai e Nilde. Rio, 16/08/08


Último dia no Brasil. Rio, 17/08/08

sábado, 24 de janeiro de 2009

Dekalb News 3 - Chicago, the windy city

8 de Setembro de 2008

Na minha primeira sexta-feira aqui nos EUA fui com o Pete em Chicago buscar a Catina no aeroporto. DeKalb fica a 60 milhas (100km) de Chicago e as estradas são ótimas e com pedágios bem mais baratos do que em São Paulo. A diferença é, que ao contrário do eu esperava, não existe no caminho aquele conglomerado urbano como há entre Campinas – São Paulo. Aqui só tem plantação de milho. Aliás aqui se come milho de todo jeito, até frito. E tem o tal do corn dog, que eu vi aqui na Corn Fest, mas não tive coragem de encarar, preocupado com o excesso de calorias.

Depois que pegamos a Catina, já no comecinho da noite, fomos em direção ao centro de Chicago. Estacionamos o carro (U$15,00) e fomos andando em direção a um bar onde estaria tocando o brasileiro Sérgio Pires, já há 17 anos em Chicago. Eu adoro viajar e sempre fico eufórico quando conheço novos lugares. Assim foi em Maceió, Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Manaus, Belo Horizonte, Brasília e até mesmo Londrina, cidade limpa e bonita. Mas nada se comparou ao que senti quando comecei a andar pela Hubbard St. Tive taquicardia!! A rua abarrotada de transeuntes, gente bonita e bem vestida jantando em mesas a beira da calcada, muitos turistas, prédio gigantescos e reluzentes, de tirar o fôlego mesmo. E o melhor de tudo, um clima leve, ninguém com medo, todo mundo feliz com o tempo primoroso no fim de semana, antes do inverno chegar. Eu definitivamente sou uma pessoa urbana. Gosto de gente, museu, prédio, cinema, música, praça, barzinho, etc; mas inseto eu não gosto não! Dos lugares que morei em Campinas, o meu preferido foi o último, ali na 14 de Dezembro esquina com a Sacramento, bem no coração da cidade!

Bom, mas voltando a Chicago. Ainda na Hubbard St, cruzamos pelo Andy’s, um jazz club e fui checar quem iria tocar. Ninguém menos que Melvin Rhine, um organista importante, e que gravou em 1959, um dos primeiros discos do Wes Montgomery, meu guitarrista de jazz favorito. Depois de darmos um pulo no bar onde estava o Sérgio, voltamos pro Andy’s correndo pra não perder o começo do show. A casa tava cheia e dividimos a mesa com uma família italiana. Pagamos U$15,00 de couvert, que aqui é sempre em cash e adiantado. O palco fica bem no centro do bar, que é bem grande pra um bar de jazz. Não sei precisar, mas deviam ter umas 200 pessoas por lá. Apesar do atendimento prosseguir normalmente, a música era a grande atração e o volume do som não permitia mesmo muita conversa. Mas quem precisa de palavras com um som desses rolando. O trio quebrou tudo e o velhinho, com 72 anos, mostrou que ainda está em plena forma. Conseguimos conversar um pouco com ele e até tiramos umas fotos.

Chicago é a terceira maior cidade dos EUA (depois de New York e Los Angeles) e fica à beira do Lago Michigan . É carinhosamente chamada de windy city, mas o vento, que logo vai começar a soprar lá do norte, não tem nada de carinhoso e eu já estou na contagem regressiva esperando por ele. Hoje aqui, que ainda é verão, teve máxima de 17C e a mínima deve girar em torno dos 8C (11C agora). Chicago também foi o destino da primeira migração do jazz, que nos anos 20 saiu de New Orleans e se dirigiu pra cá, antes de seguir definitivamente pra Nova Iorque. Mas a cidade ainda respira jazz e creio que todas as formas de artes. Na semana seguinte ao show do Melvin, aconteceu o 30th Chicago Jazz Festival (bem melhor que o Corn Fest de DeKalb), que entre outras atrações, contou com a presença de Sonny Rollins e Ornette Coleman, seguramente dois dos mais importantes músicos do gênero. Não pude ver o show deles, mas os que vi na sexta e sábado foram o suficiente. Dava gosto ver dezenas de milhares de pessoas reunidas pra ver boa música (e o povo escutava mesmo, ate as atrações mais esquisitas como algumas de jazz contemporâneo!). Famílias inteiras reunidas na grama, gente de todas as idades, velhos, crianças, etc. Foi um espetáculo. Foi bom ver Chicago a luz do dia também, e eu tenho que ser honesto, não sabia se prestava atenção na música ou na cidade.


Canja com Catina no bar que Sérgio Pires estava tocando


Ao lado do grande Melvin Rhine

Cena cotidiana no centro de Chicago

Pose na ponte


Centro de Chicago

Criançada brincando na água

30th Chicago Jazz Festival


À beira do lago Michigan


Entardecer em Chicago